
Bens industrializados e guerra no Oriente Médio acendem alerta no IPCA-15 de abril
A alta de 0,89% no Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo 15 (IPCA-15) , a prévia da inflação oficial, trouxe sinais mistos, segundo economistas. Embora o índice principal tenha vindo abaixo do consenso de mercado, que estava em torno de 0,98%, a composição qualitativa do indicador não foi considerada benigna. A surpresa de baixa ficou concentrada na queda atípica das passagens aéreas, enquanto a aceleração dos bens industrializados e os reflexos do conflito no Oriente Médio acendem um alerta para a trajetória futura dos preços.
Em 12 meses, a inflação subiu de 3,9% em março para 4,37% em abril. IPCA-15 Período Variação Abril de 2026 0,89% Março de 2026 0,44% Abril de 2025 0,43% Acumulado no ano 2,39% Acumulado nos últimos 12 meses 4,37% Fonte: IBGE Composição mascarada e o peso da guerra A principal influência que puxou o indicador para baixo no mês veio das passagens aéreas, que recuaram 14,32%. Alexandre Maluf, economista da XP, ressalta que essa deflação pontual reflete metodologias do IBGE com preços coletados ainda em fevereiro, antes do agravamento da guerra.
“O que a gente deve ver ao longo das próximas leituras, a partir de maio, devem ser provavelmente leituras mais fortes de passagem aérea”, explicou o analista, apontando para o gargalo na oferta global de querosene de aviação. Excluindo esse item volátil da conta, a leitura aponta para pressões estruturais. Os grupos de Alimentação e bebidas (+1,46%) e Transportes (+1,34%) responderam juntos por cerca de 65% da alta do mês.
IPCA-15 por grupos Março (%) Abril (%) Índice Geral 0,44 0,89 Alimentação e bebidas 0,88 1,46 Habitação 0,24 0,42 Artigos de residência 0,37 0,48 Vestuário 0,47 0,76 Transportes 0,21 1,34 Saúde e cuidados pessoais 0,36 0,93 Despesas pessoais 0,82 0,32 Educação 0,05 0,05 Comunicação 0,03 0,48 Fonte: IBGE No setor de transportes, o impacto imediato da guerra no mercado internacional de petróleo — com o barril voltando a superar a marca de US$ 110 — impulsionou um avanço de 6,23% na gasolina e de 16% no óleo diesel. Para Claudia Moreno, economista do C6 Bank, o cenário indica um impacto persistente. Segundo ela, com a continuidade do conflito no Oriente Médio, a tendência é uma pressão contínua sobre os combustíveis e os alimentos.
Felipe Queiroz, economista-chefe da Associação Paulista dos Supermercados (APAS), reforça que a atual conjuntura internacional tem aumentado todos os custos em cadeia, afetando diretamente a parte de logística. Para Gustavo Sung, economista da Suno Research, o resultado apresentou “mais sinais negativos que positivos”. “A alta do petróleo nos últimos meses segue pressionando os preços de gasolina e diesel, com impactos indiretos sobre as cadeias produtivas — mesmo diante das medidas adotadas pelo governo.
Esse choque adiciona uma camada extra de incerteza ao cenário, tanto pela sua intensidade quanto pela sua duração”, avalia. O alerta dos bens industrializados Um dos destaques mais negativos do relatório foi a reaceleração dos bens industrializados. De acordo com Leonardo Costa, economista do ASA, esse grupo veio mais pressionado que o esperado, levantando a hipótese de uma “antecipação de preços por parte dos agentes como reflexo do risco geopolítico do conflito no Oriente Médio”.
Mariana Rodrigues, economista da SulAmérica Investimentos, aponta que a surpresa altista de forma disseminada é um revés, visto que o setor sustentou por um longo período “uma visão mais benigna para o IPCA por parte relevante do mercado”. Além disso, as métricas que limpam os ruídos temporários da economia mostram deterioração. Os núcleos de inflação voltaram a acelerar.
O Itaú destaca que, na média móvel de três meses, com dados dessazonalizados e anualizados, serviços subjacentes aceleraram para 5,7% (de 5,1%), enquanto o núcleo de industriais subjacentes acelerou para 5,3% (de 4,2%). Na mesma métrica, a média dos núcleos acelerou para 5,2% (de 4,6%). Já o índice de difusão, que mede o tamanho e o espalhamento do processo inflacionário, avançou para 67%, cravando o maior valor desde abril de 2025.
Para o Itaú, a avaliação é de que o balanço de riscos para inflação ficou assimétrico, com possibilidade de alta. Impactos na decisão do Copom Apesar da piora qualitativa dos dados, a maioria dos analistas manteve suas projeções de curto prazo para a reunião do Comitê de Política Monetária (Copom), mas alterou o tom para o longo prazo. Pablo Spyer, conselheiro da Ancord, avalia que o quadro, embora pressionado, é administrável e “mantém abertas as apostas de um corte de 0,25 ponto na taxa Selic”.
, pontuando que o Banco Central deverá avançar de maneira “cautelosa, gradual e dependente dos dados”. Para o futuro, contudo, o cenário internacional encareceu o custo de controle da inflação no Brasil. Gabriel Pestana, economista sênior da Genial Investimentos, avalia que “o sinal aqui é de reforço da cautela para a condução da política monetária” e elevou a expectativa terminal da Selic de 12,50% para 13,25% em 2026.
André Valério, economista do Inter, segue uma linha similar de juros mais altos por mais tempo, projetando que a taxa encerre 2026 em 12,75%. na Selic, com uma magnitude de ciclo de corte condicionada ao desenrolar da guerra. na Selic, mantendo o ritmo de redução gradual.
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